Safoneirinhos

Investir e lucrar com a música de raiz

Texto: Cristina Pioner

O sorriso está sempre estampado no rosto de Sarah Matias, até quando ela recorda da choradeira feita diante do pai para ganhar uma sanfona. À época, com 10 anos, a garotinha já fazia aula de violão na Escola Municipal de Música Professora Leolina Maciel Feitosa e Castro, em Tauá, mas ficava encantada vendo as crianças tocando acordeon. "Até que um dia o meu pai trocou uma bicicleta dele por uma sanfoninha velha do fole furado. Foi a minha primeira", conta aos risos.

Sarah Matias de Oliveira, 15 anos
  • Quando aprendeu a tocar? 10 anos
  • Nasceu e mora em: Tauá
  • Referências musicais: Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Waldonys e Lucy Alves
  • Shows: (88) 9 9664.7448

Tão logo pegou o instrumento, já demonstrou domínio, segundo o pai Manoel Carlos de Oliveira, grande incentivador e admirador da filha, que aprendeu as primeiras notas musicais com o amigo Tiago. Em seguida, passou a frequentar as aulas de sanfona na mesma escola de música , tendo como professor oficial Pedrinho do Acordeon.

Mesmo assim, Sarah, 15 anos, nunca deixou de se aperfeiçoar na sanfona e também na voz, pois gosta de cantar o autêntico forró pé de serra, tendo como inspiração Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Waldonys e Lucy Alves. Durante a semana, a garota passa o dia no Instituto Federal (IFCE), no qual cursa o primeiro ano de Técnico em Agropecuária.

Para o futuro, planeja estudar Medicina ou Odontologia, sem deixar a sanfona de lado, claro! Com talento, beleza e desenvoltura, Sarah já faz várias apresentações, inclusive fora da sua cidade. Enquanto integrou a Orquestra Sanfônica de Tauá, apresentou-se na Universidade de Fortaleza (Unifor), além de eventos políticos e solenidades. Ela já participou da abertura de shows dos cantores Waldonys e Elba Ramalho. Em 2014, ficou em primeiro lugar no Festival de Sanfoneiros de Vila Isabel, no Piauí, recebendo troféu e prêmio em dinheiro.

Quando talentos se encontram na infância: Sarah e os irmãos Cícero Paulo e Pedro Gabriel Foto: Arquivo Pessoal

Tudo o que ganha com as apresentações, diz investir na música: comprando caixas de som, microfone e instrumentos, pois deseja formar a própria banda. Vaidosa, também gosta de comprar roupas, calçados e maquiagens. Eventualmente, ela se apresenta na feira livre de Tauá, que acontece nas manhãs de sábado. O apurado, em torno de R$ 300,00, é festejado pela jovem que, para este mês de junho, já está com três apresentações agendadas. Nos fins de semana, apoiada pelos pais, Sarah ainda aproveita para ensaiar em casa. A sala então se transforma numa espécie de estúdio, tendo como aliados nas pesquisas musicais o aparelho de televisão e a internet.

Antes de começar a entrevista, mostra-nos alguns vídeos de sua curta, mas bem movimentada, trajetória com a sanfona. Enquanto exibe-os, dá risadas dela mesma. Esta é a Sarah do Acordeon, do sorriso aberto, da alegria e da esperança de que o forró pé de serra continue encantando as futuras gerações.

Três momentos marcantes da carreira de Sarah: encontros memoráveis nos palcos com o cearense Waldonys e a paraibana Elba Ramalho, ainda na infância, e quando integrava a Orquestra Sanfônica de Tauá
FOTOS: Arquivo Pessoal
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