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Artistas lutam para “Forró de raiz” ser patrimônio imaterial brasileiro

Texto: Germana Cabral

A grande primeira definição de forró, segundo o pesquisador Paulo Vanderley, era "o lugar da festa". Dizia-se: ‘Vamos pra festa, vamos pro forró’. Nos anos 1940, anos 1950, o nome passou a significar ritmo e depois gênero, que engloba xote, baião e toda música relacionada referentes aos mestres como Luiz Gonzaga e Dominguinhos. É aquele que tem a chamada "matriz poética".

Com discografias valiosas, o cearense Waldonys e os pernambucanos Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Marinês são legítimos representantes do forró nordestino

Desde 8 de julho de 2011, a Associação Cultural Balaio Nordeste, da Paraíba, deu entrada no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ao processo para o registro do “Forró de raiz” como Patrimônio Imaterial Brasileiro. Para conquistar o título, é preciso comprovar que o mesmo possui continuidade histórica e tem relevância nacional para a memória, a identidade e a formação da sociedade brasileira.

O processo é longo. Para tentar agilizá-lo, foi criado o coletivo Fórum do Forró de Raiz, composto por detentores deste saber (mestres), gestores, pesquisadores, entre outras profissões e entidades afins. O intuito é tratar de demandas para o apoio, desenvolvimento e registro junto ao Iphan, órgão ligado ao Ministério da Cultura e responsável pelo reconhecimento dos bens culturais do País.

Para o registro do “Forró de raiz” como Patrimônio Imaterial Brasileiro, é preciso comprovar que o mesmo possui continuidade histórica e tem relevância nacional para a memória, a identidade e a formação da sociedade brasileira

Nessa última década, o Iphan tem realizado fóruns regionais por vários estados brasileiros e recolhido insumos importantes para o processo. No encontro de João Pessoa (PB), em 2015, foram definidas as diretrizes para a Instrução Técnica do Registro das Matrizes do Forró.

Em abril de 2018, o Sesc do Rio Janeiro promoveu um fórum na capital fluminense com músicos, especialistas e autoridades de diferentes partes do País a fim de produzir conhecimento para alimentar o processo de registro junto ao Iphan. Os resultados – adicionados àquelas realizadas em outras localidades por onde o fórum ainda passará – comporão um dossiê sobre o forró de raiz. Essa vasta documentação inclui ainda registros audiovisuais, pesquisa etnográfica e inventário, entre outros conteúdos.

A Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR), do Senado Federal, também realiza audiências em diversos estados. Na mais recente (14 de junho), em Natal, o coordenador de projetos do Iphan, Deyvesson Israel Alves, explicou que o órgão começará ainda em 2018, os estudos e análises do caso, estimados em R$ 1,3 milhão. “Além do reconhecimento popular, é fundamental que sejam identificadas as matrizes tradicionais do forró para que se possa creditar o registro”, disse o gestor.

A CDR já discutiu o assunto em João Pessoa (PB), no Rio de Janeiro e em Brasília. O município de Parnamirim (RN) será o próximo. Ainda estão previstas audiências na Bahia e no Ceará.