Safoneirinhos

Reinado na terra de Humberto Teixeira

Texto: Germana Cabral

No dia 13 de junho, acordes do baião marcaram a estreia da Orquestra Sanfônica Humberto Teixeira, na abertura do “Arraiá do Povo 2018”, no Parque de Exposições de Iguatu. Dos 14 componentes, oito são sanfoneiros, sendo o mais novo Claudizinho di Paula, 18 anos, cuja carreira iniciou aos 10. Desde então, tem trabalhado para se firmar como um dos importantes representantes do forró da terra natal de um dos principais parceiros de Luiz Gonzaga. São dois CDs gravados, shows com banda própria, participações em shows de cantores do gênero já consagrados, Ítalo e Renno e Fábio Carneirinho, por exemplo, e assina 22 composições em parceria com o pai, Claudízio.

Claudizinho di Paula, 18 anos
  • Quando aprendeu a tocar? 10 anos
  • Nasceu e mora em: Iguatu
  • Referências musicais: Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Elba Ramalho, Hermeto Pascoal
  • www.claudizinho.com.br

O “Principezinho do forró”, como é conhecido na região Centro-Sul, aprendeu sozinho a tocar bateria aos cinco anos. Depois, ingressou na Escola de Música Popular Humberto Teixeira. Foi quando começou a estudar sanfona, com o professor Paulo Cascavel. A escola está fechada, mas o mestre integra a banda do aluno e continua a lhe transmitir ensinamentos. O jovem toca violão, cavaquinho, piano e pandeiro, só para citar alguns instrumentos.

No estúdio instalado na própria residência, onde conversamos, passa horas estudando. Quase sempre tem a companhia do pai, com quem compôs “Cheguei” , “Volta pra mim” e “Novo lamento”, dentre outras (músicas). O parceiro é músico, componente da banda, empresário, produz os CDs, atualiza o site e as redes sociais.

A carreira de Claudizinho pode ser dividida antes e depois de uma delicada cirurgia, em 2015, procedimento que lhe causou a perda de parte do seu cérebro, mas não impediu de continuar a carreira musical

O CD “Xote conversador”, lançado em 2012, marca o início oficial da trajetória artística. Nas 16 faixas, traz o resgate da musicalidade nordestina, numa homenagem ao centenário do Rei do Baião. Foi também para reverenciar seu Luiz que participou da abertura, em dezembro de 2012, da primeira edição do show “Encanta Ceará”, promovido pela TV Verdes Mares, em Fortaleza. Na mesma noite em que subiram ao palco nomes como Waldonys, Chico Pessoa, Elba Ramalho, Chambinho, além de Ítalo e Renno.

“Claudizinho é uma figurinha que conheci desde pequenino, é daquelas crianças que brilha o olho para a sanfona, e isso é um dos requisitos importantes quando a criança sonha em ser músico. E de lá pra cá a gente vê a evolução de uma pessoa esforçada que realmente ama o que faz, ama a música”, afirma Renno.

Para o cantor e compositor, o jovem de Iguatu está trilhando os caminhos da música, que mesmo em tempos complicados em se lançar produtos, de fazer a diferença na área, a gente sabe que o mercado é muito encharcado de coisas parecidas, então você ter a ousadia e coragem de lançar um produto, de apostar na música, de acreditar na música em tempos como hoje, é sinônimo de muita bravura, e eu vejo muito isso nele”.

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Bravura que Claudizinho revela também na vida pessoal. Um ano depois de lançar o segundo CD, “Cheguei”, com participações especiais de Fábio Carneirinho e Luiz Fidélis, teve de interromper a carreira para se submeter à delicada cirurgia em Porto Alegre. O procedimento lhe causou a perda de parte do seu cérebro e deixou sequelas. Tem dificuldades, por exemplo, de apresentar trabalhos no colégio: “Não consigo muito aprender pra falar, mas transformo minha fala em música e dá tudo certo”. O mesmo ocorre nos palcos. Canta sem acompanhar nenhuma letra das 250 músicas do repertório.

Nesse momento, Claudízio interrompe para relembrar a recuperação do filho: “Foi um milagre. Ele chegou a ‘falecer’ na UTI, teve duas embolias, muitos grupos de oração rezaram por meu filho, que hoje dá testemunhos de fé em encontros da igreja católica”. De volta à vida, o jovem Claudizinho, que cursa o 3º ano do Ensino médio, planeja ingressar no curso superior de música, em João Pessoa, continuar compondo e expandir suas fronteiras musicais para além do Centro-Sul do Ceará.