Preservar é preciso
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31/01/2016
FOTO FABIANE DE PAULA
Livros

Escritos por várias linhas

A origem das rendas de bilros, a forma de tecer, os tipos de pontos, os piques, as almofadas, os bilros e o amor pelo ofício que se perpetua por mais de 400 anos. Histórias para contar não faltam, porém, ainda são raras as publicações sobre o assunto. No Brasil, uma das obras mais completas foi lançada em 1948, pelo médico e antropólogo alagoano, Arthur Ramos, com colaboração de sua esposa, Luiza Ramos, que reuniu milhares de modelos produzidos em vários países e em diferentes regiões do Brasil.

A partir desse material e com embasamento teórico, os autores percorreram a origem e a disseminação das rendas de bilros em outras culturas. Desde então, Ramos já citava a preocupação das rendeiras diante da possibilidade de extinção desta arte, uma vez que não havia valorização pelo trabalho, o qual exige muitas horas para ser finalizado. Em função disso, os jovens da época também estavam perdendo o interesse pela tradição de fazer renda. Ou seja, a obra, apesar de ter sido escrita há quase 70 anos, é atemporal, refletindo uma realidade ainda presente nos dias atuais.

Histórias para contar sobre as rendas de bilros não faltam, porém, ainda são raras as publicações sobre o assunto no Brasil

Mais recentemente, um livro editado no Ceará também é referência na área. No “Rendas de bilros”, a pesquisadora Valdelice Carneiro Girão cataloga amostras de rendas de vários estados brasileiros. Ele se reporta à coleção Luiza Ramos, cujo acervo, com mais de três mil peças, pertence à Universidade Federal do Ceará (Museu Arthur Ramos/Casa José de Alencar) e à coleção “Rendas do Ceará”, com exemplares reunidos pela própria autora.

Lançado em 2005, o livro “Rendas de bilros de Vila do Conde: um patrimônio a preservar” resgata documentos e fotografias que revelam a relação deste artesanato com a cidade. Em 1616, por exemplo, o ofício de rendilheira já era mencionado na Acta da Sessão da Câmara Municipal, o que confirma o envolvimento político deste saber com a comunidade. Tanto é que, em 1919, foi criada a primeira Escola de Rendas.

De forma bem ilustrada, a obra mostra a preocupação, desde outrora, em manter viva esta cultura da qual tanto se orgulham os vilacondenses. Foi um dos primeiros documentos para o processo o processo de certificação das Rendas de Bilros de Vila do Conde, concluído em 2015.

O amor pelas rendas de bilros de Peniche está explícito nos livros publicados por Ida Guilherme. Rendilheira, pintora, poeta e, acima de tudo, devotada ao ofício que aprendera ainda criança, também é professora de design de rendas. Em suas obras, homenageia as rendilheiras de sua cidade e mostra ainda as diferentes possibilidades de se trabalhar com as rendas de bilros.

A penichense Graça Maria Ramos dedicou, igualmente, seu conhecimento à produção do livro “Rendas de bilros de Peniche”, escrito com a amiga inglesa Janne L.G. Hill e lançado em 2001: “A obra surgiu devido à imensa procura por parte de turistas portugueses e estrangeiros sobre a arte dos bilros. Para além de ser o primeiro no mercado sobre o tema, teve a relevância de ser editado em português, inglês e alemão. Com isso, a nossa renda de bilros de Peniche conseguiu ir um pouco além fronteiras”, ressalta Graça.

Abaixo, confira sinopses desses e de outros livros que são referências para quem se interessa pela delicada arte das rendas de bilros.

Páginas de tradição

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