Nas estradas d'água

Após semanas de investigação de documentos das contas públicas nas três esferas de governo e nos contratos com empresas privadas, partimos rumo aos sertões de Ceará e Pernambuco. Não bastava o critério da falta d'água, nem esse era o mais importante. A estiagem afeta o Ceará como um todo, umas regiões mais, outras menos. A intenção era seguir o caminho da “conta da gota”. Assim, fomos atrás de grandes obras hídricas que, em sua origem, foram apontadas como redentoras do desenvolvimento e do 'combate' à seca.

Numa semana, seguimos para Sertão Central e Sertões de Inhamuns, no Ceará; em outra, percorremos o Vale do Jaguaribe, região com a maior concentração hidrográfica, até Cabrobó, já no Estado de Pernambuco e onde começa o canal da Transposição, a maior e mais recente das obras, com previsão de conclusão em 2017.

Encontramos, além dos moradores, funcionários das grandes obras, técnicos hídricos, políticos, animais e diversos atores que direta e indiretamente atuam conforme a água que tem. Seguimos o traçado de adutoras por centenas de quilômetros, flagramos vazamentos grandes e pequenos, com o ouro líquido jorrando em plena terra seca sem chegar ao destino.

A série de reportagens "Dossiê seca - a conta da gota" é o resultado dessa investigação, publicada em duas edições do jornal Diário do Nordeste (7 e 14 de maio de 2016) , e neste hotsite, que traz textos e fotos inéditos, além de webdoc.