Marca Corda Bamba

Passado silencioso

Há quem diga ser tarefa quase impossível contar a história do circo no Ceará. Distante da história oficial, o mesmo estado “mãe de circo” – tão acostumado a acolher dos panos de roda às vistosas lonas de fábrica em seus confins – é também condenado a um passado silencioso. São poucas as publicações sobre as memórias circenses aqui – e quase nenhuma delas é capaz de mensurar com exatidão os primeiros circos ou os mais antigos cearenses a se aventurarem como artistas de picadeiro. São os circenses, no fim das contas, os primeiros a se incomodarem com a lacuna dos livros. Talvez por isso, guardem tantos arquivos e espalhem tantas anedotas por onde passam – uma tentativa de dar voz à história do circo no Ceará e de fazê-la permanecer no imaginário popular. O que vem a seguir é um espaço aberto para a memória circense. Não aquela engessada por datas importantes, mas a que é construída diariamente por quem dedicou a vida ao picadeiro.

Fortaleza Fortaleza
Pacatuba
Aquiraz Aquiraz
Aracati Aracati
Russas Russas
Limoeiro Limoeiro
Solonópole
São Benedito São Benedito

London Circo

Atuação: Periferia de Fortaleza
Tamanho da lona: 20mx16m
Circenses: 18
Capacidade: 500 lugares
Ingresso: R$6,00
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Circo Tropical

Atuação: Capital e Interior do Ceará
Tamanho da lona: 30mx38m
Circenses: 24
Capacidade: 1000 lugares
Ingresso: R$ 5 (meia)
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Circo Must

Atuação: Região Metropolitana de Fortaleza
Tamanho da lona: 20mx26m
Circenses: 10
Capacidade: 800 lugares
Ingresso: R$ 7 (cadeira) e R$ 5 (bancada)
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Circo-teatro Pimenta

Atuação: Periferia de Fortaleza
Tamanho da lona: 18m x 24m
Circenses: 11
Capacidade: 300 lugares
Ingresso: R$3,00
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Circo Halley

Atuação: Interior do Ceará e do Nordeste
Tamanho da lona: 26mx32m
Circenses: 32
Capacidade: 500 lugares
Ingresso: R$ 5 (criança) e R$ 7 (adulto)
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Circo do Palhaço Gordurinha

Atuação: Vale do Jaguaribe
Tamanho da lona: 21mx21m
Circenses: 12
Capacidade: 100 lugares
Ingresso: R$3,00
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Circo Cultural Limãozinho

Atuação: Vale do Jaguaribe
Tamanho da lona: 18mx24m
Circenses: 10
Capacidade: 200 lugares
Ingresso: R$6,00
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Circo Wembley

Atuação: Alagoas e Ceará
Tamanho da lona: 24mx30m
Circenses: 12
Capacidade: 500 lugares
Ingresso: R$3,00
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Circo Fantástico

Atuação: Capital e Interior do Ceará
Tamanho da lona: 30m x 38m
Circenses: 24
Capacidade: 1000 lugares
Ingresso: R$ 5 (meia)
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Percursos de muitas vidas

Uma geografia particular guia as famílias circenses. É própria a forma como concebem lugares e distâncias. Se o mapa oficial dá conta de 184 municípios cearenses, no mapa do circo parece haver mais. Até nos mais esquecidos lugarejos, arma-se lona, deixam-se histórias, levam-se memórias. Nosso trajeto corta o Ceará na tentativa de dar conta dessa geografia. É um encontro com dez circos – armados no sertão, no litoral e na serra – com o propósito de manter viva a tradição da família.

Protagonistas da memória

É no emaranhado das memórias individuais dos artistas que adormecem grandes riquezas da história circense. O caminho aparentemente solitário de cada um expõe as mesmas marcas profundas que compõem a memória coletiva. É na luta quase pessoal, nas concessões de conforto feitas tantas vezes pelo amor à arte, que o circo persiste. Os atores dessa história são alguns daqueles que, desenraizados, fincaram suas vidas na tradição.

Desdobramentos da dedicação

A lona sustentada por grandes mastros de madeira do Circo-teatro Uiara é testemunha simbólica da formação de muitas famílias circenses do Ceará. Sob o olhar dedicado de Zoalinde Santana, muitos deixaram casa e emprego para aprender as artes do picadeiro. Tantos outros encontraram amor e caminho. No pedaço de si que deixou em cada artista, Zoalinde virou matriarca. Seus frutos ainda estão sob a lona, em posição de resistência.

Zoalinde Santana foi responsável pela formação artística de diferentes gerações de circenses do Ceará. Seu circo, o Uiara, era conhecido pelo acolhimento.
Mirtes Brasil brincava em uma árvore quando foi convidada para trabalhar no circo. No Circo-teatro Uiara, casou com Pimenta. Hoje, dois dos seus filhos seguem com o circo, que leva seu nome.
Pimenta fugiu da vacaria para trabalhar no Uiara. Lá, conheceu Mirtes, com quem formou família. Hoje mestre da Cultura, itinera pela Região Metropolitana de Fortaleza com o próprio circo
Uiara Santana é filha de Zoalinde. Mesmo vivendo longe do circo para cuidar da mãe, tenta, a todo custo, alertar os amigos sobre a importância de legalizar os contratos de trabalho
Tatuzinho trabalhava no Circo-teatro Uiara, onde aprendeu a arte circense. Lá, casou com a filha de Zoalinde, Uiara. Ainda hoje ele itinera com o seu circo pelo Ceará
Solange trabalhava no Uiara junto com o irmão Tatuzinho. Lá, conheceu Edson Brandão, com quem casou e montou o Circo Halley
Edson Brandão faz parte de uma das famílias circenses mais tradicionais do Brasil. No circo Uiara, conheceu a esposa Solange, já falecida.
Filho de Mirtes e Pimenta, Círio mantém o Circo Mirtes com a esposa e os oito filhos. Presidente da Apaece, é nome de luta pelos direitos dos circenses
Chico é fruto do casamento entre Solange e Edson Brandão no Circo-teatro Uiara. É ele o responsável por administrar hoje o circo da família, o Halley
Zoalinde Santana foi responsável pela formação artística de diferentes gerações de circenses do Ceará. Seu circo era conhecido pelo acolhimento.
Mirtes Brasil brincava em uma árvore quando foi convidada para trabalhar no circo. No Circo-teatro Uiara, casou com Pimenta. Hoje, dois dos seus filhos seguem com o circo.
Filho de Mirtes e Pimenta, Círio mantém o Circo Mirtes com a esposa e os oito filhos. Presidente da Apaece, é nome de luta pelos direitos dos circenses
Solange trabalhava no Uiara junto com o irmão Tatuzinho. Lá, conheceu Edson Brandão, com quem casou e montou o Circo Halley
 Tatuzinho trabalhava no Circo-teatro Uiara, onde aprendeu a arte circense. Lá, casou com a filha de Zoalinde, Uiara. Ainda hoje ele itinera com o seu circo pelo Ceará
 Edson Brandãofaz parte de uma das famílias circenses mais tradicionais do Brasil. No circo Uiara, conheceu a esposa Solange, já falecida.
Uiara Santana é filha de Zoalinde. Mesmo vivendo longe do circo para cuidar da mãe, tenta, a todo custo, alertar os amigos sobre a importância de legalizar os contratos de trabalho
Filho de Mirtes e Pimenta, Círio mantém o Circo Mirtes com a esposa e os oito filhos. Presidente da Apaece, é nome de luta pelos direitos dos circenses
Chico é fruto do casamento entre Solange e Edson Brandão no Circo-teatro Uiara. É ele o responsável por administrar hoje o circo da família, o Halley

#MEMORIADECIRCO

Das cores que emanam no picadeiro à apreensão causada pelos números de maior risco, o circo se revela como fábrica de memórias. Quem não traz, desde a infância, o sonho de seguir na fantasia do picadeiro ou o gosto doce dos pirulitos cuidadosamente acomodados nos tabuleiros? Cheiro de lona, bancada de madeira, música de despedida, gritar-palhaço, amizades da estrada – este é o espaço das suas histórias.